Lembro-me de ti, ao longe e tão perto,
Nos cheiros, nas cores, nas gargalhadas e na relva.
Lembro-me de ti a rir,
Lembro-te de ti a sonhar.
Sei que partiste e pensei nunca mais voltar a ver-te.
Achei-te blindado algures no éter dos sonhos,
nunca imaginei ser possível encarar-te.
Encarnar-te.
Ultimamente vejo-te de soslaio,
Ao longe, sempre ao longe.
Sei que me rondas e me vês também,
nunca te aproximas nem te mostras.
És cauteloso, sabes que a tua pureza é preciosa
e é assim que a tratas, com delicado cuidado.
Fazes bem. Fazes-me bem.
Saber que ainda existes é satisfação suficiente para mim.
Sei que nos voltaremos a ver, a falar;
Quem sabe poderemos regressar a nós
e às nossas naturais distâncias.
Ensinaste-me a amar por inteiro,
encheste-me o peito de luz e brilho,
Mas foste quebrado por essa tristeza imensa
e partiste.
Irónico, não é? Como quem tanto te amou tenha sido quem te destruiu.